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PARTE 2: A sua qualidade de vida é afetada pelo seu intestino

Como já vimos no texto anterior, distúrbios intestinais estão diretamente relacionados ao estilo de vida do indivíduo e, por esse motivo, podem ser revertidos, na grande maioria dos casos, sem intervenção cirúrgica ou medicamentosa. Esse estilo de vida inclui com que frequência essa pessoa realiza atividades físicas, qual a qualidade da sua dieta e os estados emocional e de estresse que compõem o seu dia a dia. Além disso, como já mencionado, distúrbios funcionais intestinais são mais prevalentes em mulheres do que em homens, e o aspecto emocional em muito se associa a esse quadro.

A constipação intestinal é um dos distúrbios gastrointestinais mais comuns e como já conversamos na parte 1 desse texto, é impossível viver constipada e sentir-se bem, e esse fenômeno pode ser explicado fisiologicamente. Segundo Del’Arco et al. (2017), o hormônio serotonina, também conhecido como um dos hormônios da felicidade, juntamente com a endorfina, dopamina e oxitocina, é sintetizado, armazenado e liberado no intestino, de maneira que indivíduos com trânsito intestinal comprometido em algum nível, tem esse processo hormonal afetado negativamente, e, consequentemente, a sensação de bem-estar fragilizada.

Outro mecanismo apontado como determinante na relação entre o intestino e o bem-estar é a microbiota, e algumas pesquisas trazem conclusões importantes acerca de suas funções: em estudo com ratos constatou-se que o comportamento, a química cerebral e até problemas psiquiátricos sofrem influência da microbiota (BERCIK et al., 2011); outro estudo conclui que o consumo de iogurte fermentado com probióticos, organismos que agem diretamente na microbiota, altera a atividade cerebral principalmente em regiões responsáveis pelas emoções e sensações (TILLISCH et al., 2013).

O eixo intestino-cérebro possui uma relação ainda em processo de descoberta, mas o que já se sabe é que o hormônio serotonina é uma importante resposta ao estresse e que tem influência sobre os dois órgãos, intestino e cérebro. Dessa maneira, aspectos externos e subjetivos como humor, sentimentos e sensações parecem possuir um poder considerável sobre os processos fisiológicos que envolvem esses dois órgãos. Um exemplo claro e comum dessa relação é a dor de barriga advinda da expectativa por algum evento ou acontecimento.

Dessa maneira, um ciclo extremamente negativo se estabelece para a mulher constipada: fatores exteriores afetam o funcionamento de seu sistema gastrointestinal que, não conseguindo realizar todos os seus processos fisiológicos de maneira eficiente, causa dores e desconfortos, impactando a sensação de bem estar e qualidade de vida da mulher, desmotivando-a e não oferecendo subsídios energéticos para a prática de atividades físicas ou mudanças alimentares e comportamentais.

Por esses motivos, a definição de "corpo-máquina" se faz absolutamente equivocada. A máquina é uma junção de sistemas, e mesmo que essa junção seja complexa, é, incomparavelmente, menos sujeita a interferências, variáveis e atravessamentos que um indivíduo em sua existência.

Aguenta que vai ter parte 3! (:


Referências:


BERCIK, Premysl; DENOU, Emmanuel; COLLINS, Josh; JACKSON, Wendy; LU, Jun; JURY, Jennifer; DENG, Yikang; BLENNERHASSETT, Patricia; MACRI, Joseph; MCCOY, Kathy D.; VERDU, Elena F.; COLLINS, Stephen M.. The intestinal microbiota affect central levels of brain-derived neurotropic factor and behavior in mice. Gastroenterology, v. 141, n. 2, p. 599–609, 2011. Disponível em: < https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21683077/>. Acesso em: 17 março 2020.


DEL’ARCO, Ana Paula Wolf Tasca; MAGALHAES, Pamela; QUILICI, Flávio Antônio. Sim Brasil Study - Women’s gastrointestinal health: gastrointestinal symptoms and impact on the Brazilian women quality of life. Arq. Gastroenterol., São Paulo, v. 54, n. 2, p. 115-122, jun. 2017. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S000428032017000200115&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 17 março 2020.


TILLISCH, Kirsten; LABUS, Jennifer; KILPATRICK, Lisa; JIANG, Zhiguo; STAINS, Jean; EBRAT, Bahar; GUYONNET, Denis; LEGRAIN-RASPAUD, Sophie; TROTIN, Beatrice; NALIBOFF, Bruce; MAYER, Emeran A.. Consumption of fermented milk product with probiotic modulates brain activity. Gastroenterology, v. 144, n. 7, p. 1394–1401, 2013. Disponível em: < https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23474283/>. Acesso em 19 março 2020.




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